Alma Antiga

Imagem: Colbe
Gosto de feiras, mercados. Destes que chamam de, outono, quando ano adiante os chamam sempre de qualquer coisa: não sou feirante, mas podia ser: E o que venderia eu se a feira, o mercado, fosse o meu ganha-pão? Frutos secos, doces confeccionados com eles e os frescos. Velas, incensos, unguentos e essências naturais sobre panos místicos, entre espanta espíritos, vestida qual druida, dedos ornados, pulsos exibindo desenhos neopagãos.
Talvez, como sou verdadeiramente, nem vendesse. Doasse! Transmitisse com zelo e carinho o conhecimento das ervas. Dos pós. O poder dos alimentos se consumidos nas suas épocas sem os conspurcarem com químicos. Cair sobe eles, do divino céu, a podridão dos cavalos alados que os cruzam ininterrupta e ruidosamente.

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Gosto de mercados e feiras. Artesanato. Compotas, licores, “picles”, marmeladas, méis, mezinhas, bordas d'água e de joalharia medieval. Gosto de fumeiro, queijos, curtumes, vinho, hidromel. De cabanas na floresta com chaminés fumegantes, cogumelos silvestres e do saber conhecê-los. De ervas e chás. Especiarias, afinal, também ervas alimentares e medicinais. Gosto de feiras e de mercados. Destes de Outono. Que sem muitos, ano adiante, passo bem.
Gosto de feiras e de mercados. Sou um pouco almocreve, um tanto maga aprendiza, que vagueia sob um céu cheio de estrelas onde o seu caminho está escrito. Sou de longe, de há muito tempo. Ainda o tempo não se media. Não me regulo por horas, por cartilhas que outrém ditou. Sou pingente, amuleto, runa. Sou indomável, uma Maria-rapaz eterna; muito e coisa nenhuma. Gente simplesmente, mais comummente, chamam aquilo que sou!