Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Recomeço

Passo a passo. Letra, a letra, a vida acontece.

Recomeço

Passo a passo. Letra, a letra, a vida acontece.

25.06.24

Na terra de meu Pai...


Maria Ribeiro

 

IMG_20190509_122713.jpg

Fotografia minha, 2017

 

Antes passava a automotora, havia trigo de quatro cantos como já não há. O Monte Farinha com a Senhora no cimo e a volta de Portugal, a esses ninguém os move. Havia o mirante onde os moços e moças se encontravam para namorar. A igreja, os bombeiros e o tribunal. As feiras, não tão coloridas como frequentadas, mudaram de sítio. Como à Casa do Prado a desvirtuaram. 
Antes na terra de meu pai, passava o Rio (Tâmega). Isso não se alterou! Muitos lá morreram. Raro alguém nele se banhava por ser serpenteante e "falso", mas tão belo! Às mulheres tudo era proibido. Criticar-lhes se a saia, longa, subia acima do tornozelo. Alguma mais pespineta a segurava abaixo do joelho, logo ali, na curva, mergulhando pés e pernas nos tanques, em dias de canícula, convencida que ninguém a via. Malgrado houvesse sempre um mirone entre as mêdas e as latadas, a moça falada logo a seguir, por toda a vila e mais além.
Na terra de meu pai não havia Bibliotecas, onde pequenita, jamais pensei escrever como escrevo. Ter um dia... livros meus. Nesse tempo eu queria ser amazona, a melhor com o arco e flecha, a fisga. Apanhar agriões no ribeiro! Queria brincar, sachar, regar e gritar também... milho-rei!  
Na terra de meu pai antes não havia ecovia, piscina, nem praia. Onde desafiei o gelo cortante da água com o lábio a tremer e o estômago retraído. Havia o Castelo (de Arnoia) como ainda lá está. A camionagem ruidosa a tomar quem se despedia e largar quem se acercava.
Para chegar à terra de meu pai, de um lado eram quatrocentas e tantas curvas. Do outro... trezentas e muitas.
De primos que ainda lá moram, um ror... mas da família original nem sinal.

 

 

4 comentários

Comentar post